O que dizer sobre os dados do IBGE sobre a Igreja Católica?

15/03/2014 13:34
Fonte: Lista Exsurge Domini Autor: D. Estevão Bittencour  
 
 
  Revista “Pergunte e Responderemos”-N0 496 – Outubro de 2003
D. Estevão Bettencourt – OSB
Em Sintése:
De acordo com o censo do ano de 2000, a população católica do Brasil tem diminuído numericamente. Isto se pode explicar por 4 razões:
Ser católico é mais exigente do que professar outra crença religiosa; 
Os novos pregadores atraem por suas promessas de milagre; 
A ignorância religiosa torna muitos católicos sujeitos á influência de mensageiros de palavra fácil; 
O mau comportamento de católicos tem sido ocasião de deserções; 
Como resultado do censo do ano 2000 o IBGE publicou os seguintes dados relativos à religiosidade do povo brasileiro:
Católicos – 73,8 % da população 
Evangélicos – 15,45 % ( destes, 67,6% são pentecostais ou neopentecostais); 
Espíritas – 1,4 % 
Umbanda e candomblé – 0,3 % 
Religiões orientais – 0,3 % 
Judeus – 0,1 % 
Outras religiões – 1,3 % 
Indeterminados – 0,2 % 
Sem religião – 7,28 % 
O Estado mais católico é o Piauí, com 91,35 % de fieis; o menos católico é o Rio de Janeiro com 57,16 5. O Estado mais evangélico é Rondônia (27, 5 %). Só para comparar: na Inglaterra e na França 30 % da população se dizem sem religião.
Além do que, verifica-se que o número dos “sem religião” cresceu em relação ao censo anterior. Donde a pergunta:
QUE DIZER ?
Distinguiremos dois aspectos: o decréscimo numérico de Catolicismo e o aumento dos “sem religião”.
1 Decréscimo numérico dos Católicos
São 4 as principais causas de que se podem apontar para o fenômeno:
1.1 Nobres exigências do Catolicismo
A experiência ensina que muitos abandonam o Catolicismo porque não conseguem viver de acordo com a Moral Católica; querem casar-se de novo após um primeiro matrimonio válido ou querem abortar, ou praticar relações extraconjugais... tipos de comportamento que encontram apoio fora do Catolicismo.
O decréscimo daí decorrente não depõe contra a Igreja Católica, mas ao contrario, só a nobilita. A Igreja perdeu o reino da Inglaterra em 1534 por ser fiel a Cristo, não concedendo o divórcio ao rei Henrique VIII e manterá a sua fidelidade até o fim dos tempos sem querer “comprar a simpatia “ do público. Este poderá reconhecer na Igreja o valor da coerência, flor um tanto rara nos dias atuais.
1.2 Promessas de milagres
Muitos dos novos pregadores religiosos prometem milagres e graças maravilhosas aos seus seguidores, e fazem-no com grande loquacidade. Isto impressiona aos ouvintes de pouco senso critico, de modo que se deixam atrair por tais promessas, sujeitos ao logro e á decepção. Os freqüentadores das novas comunidades eclesiais são muitas vezes submetidos a uma “lavagem cerebral”, feita de agressões e calunias contra a Igreja Católica, de maneira que dificilmente retornam ä Santa Mãe Igreja, e caem no indiferentismo após o eventual malogro de sua experiência religiosa (que não raro esvazia o bolso do crente).
1.3 Ignorância religiosa dos Católicos
O despreparo religioso de muitos católicos torna-os mais dispostos a se deixar mover por promessas e calúnias. A ignorância em matéria de fé é a causa da anemia do Catolicismo brasileiro. Se conhecessem melhor as verdades do Credo Católico, não iriam buscar fora do Catolicismo o que nele se encontra em quantidade e qualidade insuperáveis. Quem é inseguro na fé, concebe problemas que não têm realidade objetiva.
1.4 Má conduta de Católicos
É espontâneo a muita gente identificar o Catolicismo com os católicos, de modo que, se estes se escandalizam, é repudiada a própria instituição a que pertencem. É necessário um discernimento maior para guardar a consciência de que a Instituição (a Santa Igreja) e seu programa têm valor, mesmo quando os filhos da Igreja não correspondem á sua Mãe. A propósito recomenda-se o Curso de Eclesiologia da Escola “Mater Ecclesiae (telefax 0xx21 2242-4552). Na Igreja de Cristo haverá sempre o joio e o trigo por vontade mesma do Senhor. Ver Mateus 13, 24-30.
1.5 Aumento numérico dos “sem religião”
São 7,28 % os que dizem não ter religião. Isto não quer dizer que sejam ateus, mas sim que não pertencem a nenhuma denominação religiosa. Este fenômeno crescente pode ter dois motivos:
a) Comodismo: é mais fácil fazer a sua religião própria, de maneira individualista;
b) Ilusório bem-estar que a vida às vezes proporciona a quem tem saúde, trabalho, dinheiro... Muitos assim situados “não precisam de Deus”; para que acreditariam em Deus? – Todavia essas circunstâncias de euforia são passageiras, a saúde declina, o dinheiro preocupa, as rivalidades ameaçam... Em consequência muitos na segunda metade da vida volta às suas origens religiosas e reconhecem que a vida presente se torna absurda se ela carece de referencia ao Absoluto; tudo passa, ao passo que o ser humano não passa; fica á espera do que não passa e se chama DEUS. O mundo moderno, com sua tecnologia avançada pode oferecer a muitos a sensação ilusória que pretende dispensar Deus. Euforia passageira!
3. Conclusão
Os dados do IBGE não desnorteiam o fiel católico, mas lembram-lhe a palavra do Senhor: “Vós sois o sal da terra, a luz do mundo (Mt 5, 13s). O Católico se sente chamado a ser mais sal saboroso e mais luz brilhante. A ele, por mais modesto que seja, toca uma parcela de responsabilidade nos destinos de seus irmãos, pois todos estão inseridos na rede de vasos comunicantes em que cada um recebe a graça de colaborar na salvação dos outros mediante a oração e a santidade de vida. Cada qual pode e deve responder á estatística do IBGE através desses recursos, que são o segredo da vitória da Verdade sobre o erro e do Bem sobre o mal.
 

—————

Voltar