Lutero, um herege sagaz. Leão X, um Papa fraco. O resultado… você já sabe

23/10/2014 12:48

 

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E aí meu povo,

Voltamos para continuar a vida e obra do monge maluco. No post anterior desta série, prometemos contar como Sua Santidade, Leão X, reagiu às peripécias do Sr. Luther, ou seja, às 95 teses contra a Igreja Católica. É o que faremos hoje, mas, antes, apresentaremos um breve contexto histórico.

A situação da “Alemanha” na época

Só pra lembrar, esta história toda se passa no século XVI. Então, notem que, sempre que nos referimos à Alemanha, estamos falando de um Estado que passaria a existir apenas a partir do século XIX.  Na época do Lutero, o Sacro Império Romano-Germânico era um balaio de gatos que não tinha mais o prestígio da época de Carlos Magno, sendo sobrepujado há muito por outras nações como Portugal, Espanha, França e Holanda.

A grandeza perdida, dos tempos de Carlos Magno, Oto I e Frederico Barbaroxa, construída sob os ombros da Santa Igreja, sempre causou tanto nos governantes quanto no “povo alemão” um saudosismo que, de patético e melancólico, chegou a megalômano e psicótico, passando por ateu cientificista. Este processo, que durou 500 anos, foi iniciado em Lutero, passando por Bismarck e culminou com um nanico de bigode escroto da Bavária austríaca – Hitler.

É importante salientar isso agora, porque o espírito que animava os derrotistas alemães foi o combustível ideal disponível para o safado inflamar o Sacro Império Romano-Germânico contra a Santa Igreja.

Devidamente embebidos no espírito da época, vamos agora falar de Sua Santidade.

Quem foi o Papa Leão X?

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ACHO QUE ESSE LEÃO É GATA...

Leão X foi um papa interessante, e um cara estranho também. De origem, era um Médici podre de rico. Pesam sobre ele acusações de fazer um um papa infame como Sérgio III corar, mas, ao menos, Leão era mais discreto que o Papa Alexandre VI, por exemplo. Era por uns considerado homossexual (chegado num guardinha suíço), por outros, um devasso.

Como eu sou um sujeito muito influenciado por histórias em quadrinhos da Marvel e da DC, digo que no futuro continuaremos com essas história em artigos posteriores da nossa série da História dos Papas. Mas hoje falaremos apenas dos aspectos que envolvem o grande cisma, a separação entre católicos e luteranos.

A reação do Papa às 95 teses

Em 30 de maio de 1517, Lutero enviou uma explicação de suas teses a Leão X. Em 7 de agosto, o papa chamou-o na chincha, err…, quer dizer, a Roma.

Temendo por sua porca vida (como sempre, pois era um poltrão), Lutero moveu mundos de fundos para tirar o dele da seringa; conseguiu a ajuda eleitor da Saxônia Frederico III, o Sábio, que usou sua influência para dar uma amenizada na situação. Lutero conseguiu manter seus glúteos na saxônia, encontrando a comitiva papal em Augsburgo. Lá, certamente, se sentia mais confiante e menos pressionado do que no território do Papa.

A crentaida e a Tia Teteca adoooram colocar esse encontro como se fosse um acontecimento que “sacudiu Paris em chamas”. Não, não sacudiu, para falar a verdade, nosso amigo padreco era visto como um grande merdão por Sua Santidade. Pode ter sido um erro de avaliação? Sim, pode, mas o que esperar da cabeça do povo que, a partir de Lutero, nos legaria Melachton, Kant, Marx, Hitler e o jeito de jogar futebol alemão?

À frente da comitiva vinha o legado papal Thomas Caetano, que foi um dos últimos grandes nomes da escolástica. De tanto escutar as besterias de Lutero, perdeu a paciência: chamou-o de animal e ameaçou excomungá-lo. Mais uma vez, homem de brios e de coragem que era, Lutero encheu o peito, liberou o ar acumulado por onde bem entendeu e correu como um frango – mas um frango muito do corajoso diga-se de passagem – para Wittenberg.

Encastelado e muito macho, Lutero passou um ano inteiro escrevendo coisas inteligentíssimas como, por exemplo, uma carta em que intitula a Igreja de “Sinagoga de Satã”, o que aliás explica muuuuito do anti-semitismo/nazismo inconsciente de muitas das igrejinhas protestantes (enquanto isso, aguardamos os comentários furiosos de protestantes/ateus, falando que Hitler era católico, Bento XVI era da juventude nazista e por aí vai. Para vocês…. minha mão).

Voltamos ao que interessa: Sua Santidade. De saco cheio, em junho de 1520, Leão X promulgou a bula adicional Exsurge Domine, que condena 41 das proposições extraídas dos ensinos de Lutero (as 95 teses). Declarou que o sujeito tinha um prazo de 70 dias pra se retratar e, em seguida, deu ao teólogo Johann Eck – um dos mais notáveis da época – a tarefa de debater com o herege (falaremos mais sobre este desastroso debate em outro artigo).

lutero_queima_bula_2Pouco depois, Leão formalmente excomungou Lutero, em 3 de janeiro de 1521. Como resposta, o excomungado queimou a bula da sua excomunhão em praça pública.

Leão foi o último Papa a ver a cristandade ocidental unida. Foi um Papa fraco, incapaz de deter Lutero, um herege sagaz e eloquente. Ele subestimou o potencial que o monge perturbado poderia causar à Igreja, e pouco (ou nada) fez no campo teológico para deter o avanço das suas ideias, que se espalharam pela Europa como um câncer.

O legado de Leão X para história deve-se a esse erro de avaliação terrível? Pode ser. Mas é bom notar que, além do monge sem-vergonha de Wittenberg, em outros cantos da Europa a semente do mal já germinava. Temos na Inglaterra o bilau nervoso de Henrique VIII. E, na Dinamarca, já a partir de 1520, o Rei Christian II aprontava das suas: ele convidou para aquele país um bando de luteranos desocupados, que lhe deram as bases para fundar sua igreja estatal (coisa, aliás, que virou moda em toda a Escandinávia).

A seguir, veremos as consequências da Morte do Imperador Maximiliano no processo da Reforma.

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